Pessoas

01 Jun 2011

O projeto

Este Trabalho de Conclusão de Curso nasce de duas vontades: A primeira de buscar as histórias de alguns edifícios abandonados de São Paulo – quem são seus donos, quais os motivos do abandono, se os imóveis têm dívidas com o IPTU, se têm brigas na Justiça. A segunda vontade era a da construção de um site, plataforma que abre tantas possibilidades para a apresentação da informação. Vontades envolvendo, portanto, a forma e o conteúdo do trabalho, que obviamente se misturaram no caminho.

O conteúdo

Para o conteúdo, busquei as certidões e matrículas dos cinco imóveis no cartório. Descobri que muitos proprietários não atualizam suas matrículas, o que dificulta a busca de informações sobre os prédios. No caso do edifício no número 911 da avenida Prestes Maia, o nome do proprietário nem é citado no cartório. Para todos os efeitos, o lugar ainda pertence à massa falida da Companhia Nacional de Tecidos. Já o prédio da rua Mauá ainda está em nome de Mayer Wolf Zsnifer, morto há 54 anos.

Com os documentos em mãos, fui atrás dos proprietários. Nos casos de pessoas físicas, lista telefônica e Diário Oficial me ajudaram a descobrir, por exemplo, que os filhos de Mayer Wolf são hoje os proprietários do prédio da rua Mauá. Leon Zsnifer, entrevistado para o trabalho, é advogado, o que facilita, já que a OAB tem um ótimo cadastro de advogados em todo o país. No caso de empresas, procurei a Junta Comercial. Lá descobri, por exemplo, que a Campinas Empreendimento Imobiliário, registrada no cartório, é na verdade uma empresa da Camargo Correa.

As dívidas de IPTU, eu encontrei no sistema da prefeitura, a partir dos números do contribuinte, registrados em cartório, ou em algum lugar perdido do Diário Oficial. Mas não consegui os números do Aquarius Hotel e do prédio da Prestes Maia, por exemplo.

Depois fui falar com quem faltava: as pessoas. Além dos proprietários e moradores dos prédios ocupados, tive a sorte de encontrar um homem que sabia tudo sobre os últimos 37 anos do edifício da avenida Ipiranga e o segurança do Aquarius Hotel, que me atendeu e estava por dentro das fofocas dos proprietários.

A forma

O trabalho multimídia online me permitiu explorar diversos formatos, que ficariam de fora ou ofuscados se optasse por fazer um livro ou um documentário, por exemplo. Um dos objetivos era explorar fotograficamente os edifícios – em especial o Prestes Maia e o Mauá, que estavam ocupados, o que permitia entrar no prédio.

Outro formato que gostaria de usar era o vídeo, especialmente para as entrevistas com os proprietários. A ideia aqui é de que, quando se fala em prédio ocupado, o foco está sempre no movimento sem-teto e nas pessoas que vivem ali. O que acho ótimo, mas sempre tive curiosidade de saber quem afinal eram as pessoas proprietárias destes prédios, e porque os deixaram abandonados por tanto tempo. O uso do vídeo com os proprietário e não com os moradores tem o objetivo, portanto, de expor mais o proprietário, muitas vezes escondido e preservado, justamente por ser o lado mais forte.

O site também tem a gigantesca vantagem de estar online. Hoje, quem quiser ler meu trabalho só precisa digitar www.edificiosabandonados.com.br e terá acesso a todo o conteúdo. A opção pelo site também me impôs o desafio de trabalhar com algo novo para mim – fazer um site, aprender HTML e CSS, bater cabeça para deixar um template de wordpress com a cara que eu quero e que responda às necessidades do trabalho, sem ajuda de programador. Foi um exercício difícil, em que descobri uma série de limitações em relação a programação, mas também aprendi bastante.

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http://www.edificiosabandonados.com.br/wp-content/themes/selecta